
"A fotografia por si só não me interessa, mas a reportagem sim, a comunicação entre o mundo e o homem com este instrumento maravilhoso do tamanho da mão que nos faz passar desapercebidos. E assim participamos. É uma dança, entende? É uma grande alegria fotografar assim. A gente olha e pensa: quando aperto? Agora? Agora? Agora? Entende? A emoção vai subindo e, de repente, pronto. É como um orgasmo, tem uma hora que explode. Ou temos o instante certo, ou o perdemos para sempre. E não podemos recomeçar. O desenho é uma meditação enquanto que a foto é um tiro. Pode-se apagar um desenho e fazer outro. Não se está lutando contra o tempo. Tem-se todo o tempo pela frente, é uma meditação. Mas com a foto há um espécie de angústia constante pelo fato de estar presente. Mas é uma angústia muito calma."
Henri Cartier-Bresson (1908-2004)